“Ah, Enone… Por que eu inventei de te largar?…”
Páris pensava, arrependido, apesar de Helena, do reconhecimento dos seus pais biológicos, do ouro, da glória, do título de príncipe… Será que ela aceitaria salvá-lo?
Enone era filha do deus do rio Cebren e foi com ele que aprendeu o segredos das ervas. Era a única que poderia salvar Páris, se ele tivesse chegado um pouquinho mais cedo. Como filha de um deus, outra herança poderia ser o temperamento que os deuses gregos tinham…
Páris pede para ser levado para sua antiga esposa, no Monte Ida e largam ele lá. Enone olha para o fugitivo moribundo.
- É assim? Você larga a própria esposa, rouba a esposa de outro, vira príncipe, causa essa confusão em Tróia e só pensa em mim quando está morrendo?
- Enone… Só você pode me salvar…
- E nem ao menos é pra pedir desculpas, só para que eu tire o veneno do seu sangue, para você voltar todo serelepe para sua Helena.
Enone dá as costas para Páris e contém o choro. Ah, não ia mesmo deixar aquele adúltero ver as lágrimas que vertia dia após dia por ele! Engoliu o nó que se formava na garganta e esperou por uma resposta.
- Enone, eu… Você…
…
- Páris?
Tarde demais. O veneno alcançara-lhe o coração. Enone cai em cima do príncipe, batendo com os punhos em seu peito, deixando as lágrimas correrem:
- Seu estúpido! Burro! Tivesse me pedido desculpas, eu te curava! Ainda gostava de você! Se tivesse chegado mais cedo, eu salvava sua vida e ainda fazia uma poção pra você ficar aqui, comigo…
Enone sabia que ele voltaria, no momento em que precisasse dela, por isso esperou e esperou. Mas não imaginava que fosse na hora da morte! Talvez atrás de uma poção para não ter filhos, ou de virilidade… Quem sabe com um ferimento mais leve. Aí ela daria a ele uma poção de amor e pronto! No desespero, jogou um de seus vasos contra a parede e um estilhaço de cerâmica voltou para ela, cortando-lhe a garganta. Morrera com seu amado.
E a guerra nem tinha acabado ainda! Com Heitor morto, Príamo colocara Páris para comandar a batalha. Páris morreu também, então foi a vez de seu terceiro filho assumir o controle. Assumiu também a mulher do falecido irmão. Helena, despeitada por seu marido ter ido morrer junto à “outra”, casou-se com Deífobo.
As coisas não iam bem para Tróia e a cidade caiu. Menelau encontra Helena em um de seus aposentos. Com a espada desembainhada, chama a mulher.
- E então? Divertiu-se nas suas aventuras amorosas? Esqueceu-se que tem marido, filhos e palácio pra cuidar? Você não é digna de morrer pela minha espada, mas não tenho outra arma para dar cabo da sua existência.
Helena vira-se para seu marido grego, que espera ver seu rosto alterado pelo desespero e a súplica pela vida em seus olhos. Mas há apenas calma, um breve sorriso nos lábios vermelhos e um brilho sedutor no olhar. Com uma voz aveludada, que ele não ouvia há tempos, Helena se aproxima lentamente de Menelau, passos rebolados milimetricamente calculados:
- Ah, meu marido! Então não sabes que fui enganada pelos deuses? Que Afrodite me deu para Páris por causa de uma aposta? Que escolha tinha eu? Sabes como somos impotentes diante dos poderosos deuses.
Menelau ficou parado, olhando para aquele ser de beleza quase sobrenatural que se aproximava, corria os dedos pela lâmina da espada até o punho, e estão para os braços de Menelau, que estava agora próximo o suficiente para se inebriar com o perfume. Helena desfez-se de sua túnica e Menelau cedeu às tentações de sua esposa.
- Mas não pense que isso vai ficar assim! Não posso simplesmente aceitar ser corneado!
- Sei onde está Deífobo. Ele que comanda Tróia agora. Posso lhe dizer aonde encontrá-lo e, assim, você terá a cidade e seus poderosos na sua mão.
Assim, Helena entregou Deífobo à Menelau, que a perdoôu e a levou de volta à Esparta, aonde viveu até que seu marido morresse. Nicostrato, seu filho, não gostou muito de ter sido abandonado pela mãe por 10 anos e a expulsou da cidade.
Helena, então, foi morar em Rodes com a rainha Polixo, sua amiga. Um belo dia, no banho, ela foi enforcada por uma das servas de Polixo, que morria de ódio de Helena por causa da guerra. Essa serva morava em Argos com seu marido, que foi pra guerra de Tróia e lá morreu. Dizem também que foi a própria Polixo que a matou e colocou a culpa na serva. Mas tudo isso pode ser só fuxico da criadagem.
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C’est fini!
Pode ser que o final esteja seguindo uma linha diferente, afinal foi escrito bem depois do início. Espero que tenham gostado! ^^ Vocês podem me dizer se gostaram ou não nos comentários de qualquer um dos quatro textos.
Como assim, não leu os outros três? Sério? Bom aí vão os links… Fique à vontade. =)
Uma História Grega Parte I
Uma História Grega Parte II
Uma História Grega Parte III
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