Fiz essa matéria para a cadeira de Laboratório Impresso e achei que, talvez, fosse interessante mostrá-la aqui.
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Surgido no Japão entre os séculos IV e VII, no período Fugiwara, o origami era uma arte cerimonial, feito por sacerdotes xintoístas para transmitir a intenção da cerimonia religiosa. Como o papel custava muito caro, apenas homens adultos, além dos sacerdotes, podiam fazer origamis. Na Era Heian (de 794 a 1192) o origami começou a deixar de ser formal e passou a se tornar mais recreativo, surgindo as primeiras garças e barcos de papel, ainda que a forma como conhecemos atualmente a arte de dobrar papel tenha surgido com os samurais, no século XVII.
Foi no período Edo, a arte de dobrar papel tornou-se mais popular, pois passa a ser praticado por mulheres e crianças, independente da classe social. É quando o papel passa a ser fabricado no Japão, ao invés de ser importado da China e quando surgem aproximadamente setenta tipos diferentes de origami, que chegaram aos dias de hoje, passados de geração a geração. Com fortes influência dos alemães, o origami passa a ser ensinado nas escolas japonesas na Era Meiji (1868-1912), fazendo parte da educação dos japoneses. Nessa época o Movimento Kindegarden, que introduziu as dobras de papel nas atividades pré-escolares, foi iniciado na Alemanha por Friedrich Froebel e foi levado para o Japão por uma senhora alemã, obtendo grande aceitação nos dois países. Assim começa o relacionamento entre o origami e a educação infantil.
Gustavo Kyotoku é sansei (neto de japoneses), tem 24 anos, é formado em engenharia química e trabalha como engenheiro de processamento na Petrobrás de Macaé. Ele morou na Alemanha nos primeiros anos de vida, estudou num Kindegarden (pré-escola) alemã e lá teve seus primeiros contatos com o origami. Gustavo conta que não lembra disso, que foi seu pai quem contou para ele, mas além da escola, sua mãe também aprendia para ensinar a ele e ao irmão. Aos 12 anos, aprendeu com uma professora do Kumon a dobra do caranguejo. A partir daí começou a fazer origamis mais complexos.
Em João Pessoa não existe a tradição do origami nas escolas de ensino infantil, apesar das aulinhas de arte, que estimulam a criatividade, coordenação motora e concentração das crianças, no entanto isso não é empecilho para quem não teve oportunidade de começar tão cedo quanto o Gustavo.
Marina de Moraes, 18, estudante de Enfermagem na UFPB, conheceu a arte de dobrar papéis quando ela tinha 13 anos através de um professor de matemática, que tentou ensiná-la a fazer o tsuru (garça), mas ela teve dificuldades. Ela começou a se interessar por origami ao vê-los numa edição da feira Brasil Mostra Brasil, que ocorre anualmente no Espaço Cultural. Marina fez um curso de origami, mas conseguiu os diagramas a partir dos quais começou a aprimorar a técnica a partir da internet.
O origami pode ajudar no desenvolvimento de crianças, no ensino de matemática e geometria e, como outros passatempo saudáveis, no processo de recuperação de pessoas doentes. Ou pode, simplesmente, ser uma atividade de lazer e uma boa forma de presentear os amigos. A técnica não é mais tão cara como nos primórdios. Uma folha de papel cortada num quadrado e um diagrama simples são suficientes para aprender. O site Origami Club (www.origami-club.com/en, em inglês) fornece diagramas dos origamis tradicionais e alguns de criação própria, além de animações passo a passo de cada dobra.
Para treinar a paciência e coordenação motora, para ensinar matemática, para passar o tempo num lugar onde não há muito o que fazer ou por diversão, o origami se mostrou uma prática benéfica para crianças e adultos. Mesmo que não tenha aprendido na escola ou quando ainda jovem, é possível aprender a fazer com ajuda de alguém que já saiba ou mesmo sozinho e tirar grande proveito disso.
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Seguem as entrevistas:
Entrevista com Gustavo Kyotoku
Fernanda - Com que idade você começou a fazer origami?
Gustavo Kyotoku – Eu comecei a fazer origami por volta dos 3 ou 4 anos, na escolinha (Kindergarten) quando morava na Alemanha. Essa informação na realidade vêm do meu pai, eu não lembro disso.
F. – Quem te ensinou?
G.K. – Além de ter aprendido na escola, minha mãe tentava aprender para nos ensinar. Outra grande contribuição foi uma professora de origami que nos ensinou alguma coisa quando moramos em São Paulo.
F. – O interesse em fazer origami vinha de antes de você aprender, ao ver peças prontas ou observar outras pessoas fazendo, ou surgiu depois que você aprendeu?
G.K. – Eu sempre gostei de fazer origamis, mesmo quando eram os mais simples, e meu pai, que chegou a estuda origami mais cientificamente, comprava diversos livros bem complexos e eu queria conseguir fazê-los. Quando consegui foi uma grande felicidade. Depois, com a internet, eu passei a ver origamis realmente impressionantes e passei a tentar fazê-los e depois de algum tempo consegui. Hoje em dia eu gostaria de começar a fazer minhas criações, fiz só uma coisa ou outra bem simples, mas ainda paro para tentar fazer mais coisas.
F. – Qual foi seu primeiro origami? (Caso você lembre)
G.K. – Hehehe, isso eu realmente não lembro. Mas se quiser, foi com o caranguejo que comecei a fazer origamis mais sofisticados, isso quando já estava com uns 12 anos.
F. – Você expôs seus origamis na Feira Japonesa que aconteceu recentemente em João Pessoa, foi a primeira feira da qual participou?
G.K. – Eu participo desde a primeira Feira Japonesa, foi nela que a gente criou o grupo de origami em João Pessoa, e também participei uma vez da Feira Japonesa de Recife, não recordo o ano exatamente.
F. – Alguns livros dizem que o origami pode ser utilizado para ensinar matemática à crianças. Você acha que o origami facilita o aprendizado e pode atrair a atenção da criança?
G.K. – O origami deve ajudar sim, não só em matemática. Creio melhora a concentração, a visão geométrica, como sempre se utiliza dobras feitas dividindo linhas e ângulos, deve haver maneiras de utilizar isso em sala de aula. Há diversos matemáticos que gostam muito, inclusive uma das amigas que fundaram o grupo é matemática.
Entrevista com Marina Nascimento de Moraes
Fernanda – Quando você conheceu o origami? E como tomou interesse em aprender?
Marina Nascimento de Moraes - Já faz cerca de cinco anos que eu conheci o origami, o meu professor de matemática da oitava série fazia um pássaro de vez em quando. Tomei interesse mesmo quando fui em uma feira (Brasil Mostra Brasil) e vi um stand repleto de origamis, das mais diversas cores e formas.
F. -Você aprendeu a fazer origami aonde?
M.N.M. – O meu professor tentou me ensinar a fazer o tsuru, mas eu não levei muito jeito para a coisa na época. Tempo depois vi alguns na internet e comecei a fazer pelos diagramas e depois eu fiz um curso (só o primeiro módulo).
F. – Com que idade fez as primeiras dobras?
M.N.M. – Cerca de 13 anos.
F. – Você lembra qual foi o primeiro origami que fez?
M.N.M. – Bem feito mesmo foi um porta-retrato, mas aos treze ja fazia tsurus um pouco mal feitos.
F. – Além de ser um passatempo, alguns livros dizem que os origamis são de grande ajuda para ensinar matemática. Você acha que os origamis podem ser usados no ensino infantil? Acha que se aplica em algum outro campo, além da matemática?
M.N.M. – Concordo totalmente com os professores que o utilizam nas aulas de matemática, principalmente se for com crianças. Afinal o origami serve de incentivo. Também acredito que origamis possam ser aplicados a outras áreas…
Existem projetos que tentam implantar a prática de técnicas como a do origami para melhorar a recuperação de crianças nos hospitais.









