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O Fazer Amizade

Agosto 14, 2008 · Deixe um Comentário

Esses dias andei tendo conversas de madrugada pelo telefone. Poucas, porque eu aprecio o tempo que tenho para dormir, aprecio demais para ficar acordada! Mas tive umas conversas de madrugada, nesse horário estranho em que a mente relaxa, a gente viaja mais e acaba sendo mais sincero. Ou pelo menos a sinceridade vem nua, não revestida pela ironia, pelos ganhos que podem trazer ou qualquer outra coisa (no meu caso, pode vir com uma roupagem agressiva, um “e aí? vai fazer o que com isso agora?”).

Andei conversando sobre deixar as pessoas se aproximarem, sobre amizade, relacionamento com os outros. Eu já disse no outro blog, eu não gosto de gente. Então definitivamente não vou deixar qualquer um se aproximar. Não que eu vá ser deliberadamente grossa ou antipática com todo mundo. Não sou de virar a cara para qualquer um. Do mesmo jeito que tem que merecer minha amizade, tem que merecer também o meu escárnio. O que está ali no meio… simplesmente está.

Houve uma época em que eu até quis fazer amizade com todo mundo, conversar com todos, sair com todos, me dar bem com todos. O bom foi que eu venci boa parte da minha timidez para chegar a esse ponto. E o melhor foi que em pouco tempo já tinha gente se aproveitando da minha boa vontade, mantendo-se próxima por interesses outros que minha companhia, se fazendo de amigo para ganhar alguém que fizesse os traabalhos escolares em grupo sozinha, que desse bons presentes de aniversário, que servisse de trampolim para chegar aquele menino interessante. E em algum tempo eu notei. Levou alguns anos, mas cheguei a conclusão de que amigo assim não vale.

Amigo vale quando os gênios batem de cara, quando a primeira impressão é boa, quando você vê que naquele ali pode depositar sua confiança que ele não vai jogar no chão e pular em cima, pra ficar bem estilhaçadinha.

Então eu assumi a postura de hoje. Simpática porém distante, a não ser que haja um encontro de gênios. Pode ser instantâneo, pode demorar meses, mas assim as amizades evoluem num ritmo natural, cada uma no seu passo. E assim as amizades perduram. Podem ser poucas, a ponto de contar em uma única mão e sobrar dedos (Talvez não tão poucas, seria preciso ser over-introvertida). Mas você sabe que pode apertar a tecla rápida do celular e aquela pessoa vai te ouvir. Pode dizer “não estou bem, posso ir aí agora?” e vai ouvir um “venha”, porque mesmo que o amigo tenha algo para fazer, ele vai dar um jeito de conciliar as obrigações com o ouvido.

E por saber que aqueles poucos amigos são bons amigos, a dedicação passa a ser maior. Coisa de cruzar a cidade só pela companhia ou porque o outro precisa. De passar horas no telefone para ouvir a história três vezes seguida porque ele precisa contar. De quebrar a dieta “vamos perder a barriguinha em um mês pra entrar naquele vestido” e faltar à academia pra tomar um café, comer um bolo de chocolate maravilhoso que é a coisa mais linda, doce e calórica que você já viu e dar boas risadas. Não porque alguém esteja com problemas, mas simplesmente pelo prazer da coisa. Porque é algo que acontece muito pouco.

As amizades podem ser antigas e sólidas feito rochas. Podem ser mais recentes ou de dois meses atrás. Até porque amizades de verdade já nascem sólidas. Gosto do meu jeito de construi-las, pelo valor que dou a elas. Não sei qual o valor que os outros dão à minha amizade, mas imagino que também seja alto, porque até agora pouco quebrei a cara.

Me questionaram sobre o meu jeito, minha distância, por isso esse post. E digo mais: não foi algo que pensei, que faço de forma consciente. Simplesmente “me desenvolvi” assim e estou confortável desse jeito. É o meu jeito e não me faz mal algum. Até faz bem, de vez em quando.

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Categorias: amizade · crônica · relacionamento · sensações

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