Lendo a Veja dessa semana li uma coluna que chamou minha atenção (uma das poucas que eu li, além da de literatura, aonde me lembrei que Maria Antonieta era austríaca – interna). Um cara (olha aí que informação mais exata, definida e confiável!), que eu não lembro o nome e estou com preguiça de procurar, criticou a decisão sobre não poder mais usar algemas ao prender as pessoas.
Ok, não é exatamente não usar algemas. É não usá-las para constranger ou em casos em que não há risco da criatura fugir, reagir ou agredir alguém. Se não vai fugir e nem apresenta perigo para ninguém, pra quê algemas? É, realmente…
- Senhor, por favor, encaminhe-se para a viatura da polícia estacionada em frente ao prédio para que possamos levá-lo à delegacia, já que o senhor está preso por furto/roubo/homicídio/corrupção/pedofilia.
Pode ser uma senhora também, sem preconceitos.
Bom, a abordagem não funciona. Querendo ou não, os policiais não podem ser nobres da corte de algum monarca da era vitoriana, que é bem capaz do(a) suspeito(a) acabar rindo da cara dele ou até mesmo vir com um “Não tô a fim. E aí?” E aí? Pergunto eu.
Claro que a polícia deve ter respeito até onde for possível. Se o cara resolve reagir ou fugir pela janela do banheiro, não sei como a polícia seria educada e respeitadora até ter a pessoa controlada. Mas é preciso haver respeito e é preciso se impor. Os dois ao mesmo tempo, de preferência.
“Há, mas um senhor supostamente respeitável da sociedade, que ’só fez’ desviar dinheiro de alguma instituição que muito provavelmente precisava para o seu próprio bolso não vai tentar fugir.”
Talvez não todos. Mas já viu bicho acuado? Acha que é fácil pegar um lindo gatinho de 2, 3 meses quando ele está morrendo de medo, se sentindo ameaçado e não quer que cheguem perto? Ele vai botar suas lindas garrinhas de fora e deixar sua mão com um lindo arranhão que vai arder horrores e fugir. Na melhor das hipóteses, vai só fugir. E qualquer homem (ser humano, que fique claro) tentaria fazer o mesmo ou ao menos cogitaria essa hipótese. Então pode até não haver o risco de agressão, mas há o de fuga.
Claro, a algema pode ser escondida por um paletó, uma blusa, o que o algemado quiser. Poderia até ter as mãos algemadas na frente do corpo, não nas costas. Afinal, as algemas estão lá para restringir a possibilidade de agressão/fuga, não para “envergonhar” quem está sendo preso.
Um outro ponto citado na coluna é que proibiram algo que deixa os ricos constrangidos, mas não os pobres. Ninguém fica tentando levantar a cabeça do corrupto para que as câmeras possam pegar uma imagem melhor dele, mas fazem muito isso com outros tipos de criminosos, de nível social mais baixo (e que está sendo preso por uma polícia diferente, vale salientar).
Mas como assim? Não é pra evitar constrangimento? Deixa a criatura ficar de cabeça baixa, é direito dele. A imprensa tem o nome completo, provavelmente tem outras fotos e imagens e deixa o cinegrafista e os fotógrafos trabalhando para achar melhores posições para registrar o ocorrido. A notícia não deixará de sair no jornal e não terá menor impacto por causa disso.
Muito melhor tentar educar a polícia – todas elas- do que ter que proibir judicialmente cada uma das coisas que podem encabular uma pessoa que está sendo presa.









