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O Anjo Pornográfico

Julho 30, 2008 · 1 Comentário

É uma biografia, mas não parece. Ruy Castro faz parecer que a vida de Nelson Rodrigues é um romance muito criativo, por vezes fictício. Quem iria imaginar que alguém poderia ter uma vida tão trágica? E como pode uma família ter inventado o jornal, o futebol e o teatro brasileiros?

Mas pode. E assim foi. “O Anjo Pornográfico – a vida de Nelson Rodrigues” fala da história da família, desde Mário Rodrigues e sua habilidade para ganhar dinheiro e fazer dívidas que o acompanhou de Pernambuco ao Rio de Janeiro. Fala das paixões de Nelson, dos dramas da família que tanto se parecem com os folhetins rocambolescos que ele escreveu sob o pseudônimo de Suzana Flag, fala também do nascimento do jornalismo como o conhecemos hoje. E do futebol. E do teatro.

O que achei mais interessante até agora foi o que fato de termos campeonatos de futebol, grandes times e negros em campo, além do jogo ter deixado de ser amador e do Maracanã ter sido construído foi “culpa” de Mário Filho, irmão de Nelson.

O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro

O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro

Ainda não terminei de ler o livro, mas estou adorando e recomendo! Até o momento não li nada de Nelson Rodrigues, mas estou começando a achar isso um pecado para alguém que gosta tanto de literatura como eu e pretendo mudar isso dentro de pouco tempo.

O livro é de 1998, da editora Companhia das Letras e pode ser encontrado por R$59 na Siciliano. No momento está em falta no Submarino, mas sugiro olhar lá e nas Americanas, que possuem preços menores.

Atualização: Como imaginava, nas Americanas está mais barato: de R$47,90 por R$38,90

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Categorias: arte · biografia · futebol · história · jornalismo · literatura · livro

Vou te levar daqui

Julho 30, 2008 · Deixe um Comentário

Estava na casa do meu namorado, mais precisamente na cozinha, esperando-o chegar enquanto conversava com um amigo dele. Eis que, do nada, o amigo vira pra mim e fala, no tom mais sério do mundo:

- Vamos embora agora! Eu te levo pra onde você quiser ir, a gente nunca mais volta! Faço o que você quiser! Tenho dinheiro tenho como nos sustentar.

Ao ouvir a primeira parte achei que tinha algo errado, como um estouro de manada de mamutes desvairados que vinham correndo e iam derrubar a casa. Quando ouvi o resto e percebi do que se tratava dei um pulo para trás, literalmente um pulo, assustada. Como é que ele poderia fazer uma coisa dessas? Ele estava ficando maluco ou o quê? Com o coração disparado do susto e do medo, respondo:

- Você tá doido? A gente tá na casa do meu namorado, do seu amigo, que tem um grande apreço por você, e você me faz uma proposta dessas? Sabendo inclusive o quanto eu gosto dele? Você não tem respeito? Se não por ele, tenha por si mesmo.

- É… eu sei. Foi uma brincadeira.

E o digníssimo chega, os humores já estão amainados e elem não percebe o que se passou. Enquanto caça umas uvas na geladeira, o amigo vai para o quarto ver os gibis antigos, motivo pelo qual estava lá. Ficamos conversando amenidades na cozinha enquanto penso se devo contar ou não sobre aquele momento de insanidade.

O amigo não é real. Pouco depois disso eu acordo e vejo que estou em casa, no meu quarto, enrolada numa colcha de patchwork para me proteger do vento frio da noite e da qual terei que me desenrolar, pois já passa da hora de cumprir minhas obrigações.

Penso na proposta do personagem do meu sonho e respiro fundo. Bem que eu gostaria de ouvir algo assim, não de um amigo do meu namorado, poderia -deveria- ser do namorado. Ou de mim para mim. “Vem, vou te levar. Não precisa nem fazer as malas.” E sumir.

Não precisava ser para sempre também, mas, quem sabe, por um dia ou dois. Em algum lugar que ninguém soubesse onde, quando ou porquê. Sem celular, para que eu não seja encontrada até querer ser encontrada. Sem nenhuma ligação ou lembrança de qualquer responsabilidade da vidinha mundana.

E, se tem que haver volta, pelo menos ter umas lembranças bem particulares, dessas que não se divide com ninguém, senão se dilui, do meu paraíso particular. De um lugar para onde eu possa ir, nem que seja só na mente, quando o dia-a-dia ficar sufocante demais.

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