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Censura à Publicidade

Julho 28, 2008 · Deixe um Comentário

Li ontem na Veja dessa semana um artigo sobre a censura nas publicidades de televisão. Tinha pouco tempo para folhear a revista e escolhi ler essas duas paginazinhas porque, de início concordava com o autor.

Eu costumo ler a Veja, apesar de achá-la uma revista pouco confiável e ver meio mundo de absurdo nela. Em primeiro lugar, porque leio de graça. Em segundo lugar porque acho que para criticar alguma coisa é preciso conhecê-la. Em terceiro lugar, porque fica mais interessante ver o site em que Luís Nassif fala da Veja e as críticas do Observatório da Imprensa.

E sim, a proibição de comapanhas publicitárias é um absurdo. Algumas extrapolam, é bem verdade. E as empresas de publicidade nem sempre são capazes de seguir regras, como em São Paulo que, por conta da poluição visual, foi estabelecido que em certos locais não poderia haver propaganda. As agências ignoraram isso e agora só pode ter propaganda nos termômetros de rua e pontos de ônibus. Bem feito.

Do mesmo jeito que as agências não precisam cobrir cada centímetro de um prédio e enfileirar tanta propaganda que não dá nem pra ver do que são, também não precisam colocar publicidade de cerveja com mulheres de bunda de fora nos intervalos do “Xou da Xuxa”. (Ok, eu sei que não tem mais “Xou da Xuxa” e que não se coloca propaganda de cerveja pros pirralhos, mas é um exemplo.)

Falando ainda de propaganda de cerveja, só um parêntese que esse não é exatamente o assunto aqui, achei legal essa de “mulher de biquini, só na praia”. O vestuário dos “personagens” deve ser condizente com o ambiente e mulher não é algo que vem de brinde na cerveja. “Compre uma longneck e se dê bem essa noite”. Como assim? Tem uma propaganda de carro, não lembro qual, sei que vi numa revista e que era da Volks, em que mostrava o carro por fora e dentro havia uma mulher linda com um tubinho preto bem curto e a mensagem era basicamente “compre o carro e leve ela de brinde” (sim, por escrito, não tô falando de interpretação da imagem aqui). Mas, hein?! Em compensação, nada a ver tirar os caranguejinhos “nhénhénhé” das publicidades de cerveja. Eu adorava aqueles caranguejinhos! E odeio cerveja. Olha aí como os bichinhos fofinhos não influenciam as crianças mentalmente saudáveis?

Voltando. É uma boa definir horários para as campanhas publicitárias. Isso é bom para as próprias agências. Não tem porque passar propaganda de bebida alcoólica e de carro num horário de programação infantil, assim como não tem sentido encaixar propaganda da Barbie no meio da novela das 8. Toda publicidade tem um público específico e deve ser exibida no horário em que aquele público está na frente da telinha. Ou, no caso de tv por assinatura, no canal certo. Imagina… Por mais bem boladas que sejam as propagandas da Jontex e por mais que sejam animações, elas não cabem no Cartoon Network. Seu público alvo está assistindo MTV (quando não comprou um canal pay-per-view escondido do pai).

Agora, não pode mais passar propaganda para criança. Também não pode de produtos que não tenham valor nutricional. Não pode ter desenho nem ser divertida. Ué? E o que vai ser da campanha publicitária então? Ela não tem culpa dos pirralhos ficarem enchedo o saco dos pais com o “Compra, mãe!!!”. Isso é fase pela qual boa parte das crianças passa. Vê uma coisa divertida, bonita e colorida na tv, na loja ou na casa dos amiguinhos e logo quer. Cabe aos pais dizer um não bem dito e se a criança vier com “Mas por quê?” ou “Mas o Luizinho tem um!”, também cabe aos pais explicar que dinheiro não dá em árvore, a criança não pode ter tudo o que quer e que ela não é o Luizinho e não tem que ter tudo o que o Luizinho tem ou fazer tudo o que o Luizinho faz. (É, eu passei alguns anos da minha infância ouvindo isso… e até hoje sapeco um “compra, mãe” quando vejo um sapato lindo.)

As agências de publicidade tem todo o direito de exercer sua criatividade e de fazer propagandas para qualquer empresa que lhes pagar. Aliás, tem o dever de fazer propaganda boa que eu, como espectadora, quero pelo menos me divertir assistido a elas. E esse é o modo que temos de conhecer novos produtos e serviços. Ou não é?

Até aí eu concordo com o Reinaldo Azevedo. Só que ele vem com a história de que o governo inventou essa censura para favorecer revistas e emissoras de televisão que o apóiam.

“Cumequié?”

Quer dizer que só a Veja e a Globo falam mal do governo? Mostram o que ele deixou de fazer certo e o que ele fez de errado? Tá… tá bom. E ainda por cima o governo quer dar “apoio moral” pra Carta Capital? Ok…

É, a conversa dele é exatamente essa. Tadinhos de nós, Veja e Globo, que só obtemos recursos através da veiculação de publicidade. O governo fica pagando as contas da Carta Capital, que fala bem deles e querem acabar com nosso ganha-pão.

Essa dor-de-cotovelo está tão… tão “Mário Rodrigues”. Mário Rodrigues foi o pai de Nelson Rodrigues e na época dele é que os jornais faziam isso, ficavam se alfinetando, dizendo que o outro mentia e que ele falava a verdade, que o outro recebia do político x, por isso inventava histórias boas sobre ele. O detalhe é que todos os jornais recebiam recursos de políticos, apoiavam os que pagavam suas contas e faziam a caveira dos outros. E o divertido devia ser, imagino eu, comprar jornais de correntes políticas opostas só pra acompanhar a picuinha.

Será que o jornalismo hoje vai ser isso? Abro a Veja e leio uma crítica à Carta Capital e vou na banca e vejo a Carta Capital dando resposta? Espero que não. O jornalismo precisa sim de novos ares, mas não desse tipo.

A Veja não é o único veículo de comunicação que mostra as falhas do governo. Pelo contrário: até esconde algumas. Eles esquecem que o governo não é só Lula, que não é só o presidente que faz besteira, que outros veículos também apontam as falhas, que nem só de erros é feito o governo.

Não leio a Carta Capital, mais por preguiça de passar na banca do que outra coisa, mas vou procurar acompanhá-la a partir de agora. No entanto ela é tida como a revista mais séria, politicamente falando, dentre as pessoas que convivo e cuja opinião valorizo. A Veja, no entanto, não tem lá muita credibilidade no meio jornalístico. Será esse o problema de Reinaldo Azevedo?

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