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Banheiro Público

Julho 23, 2008 · 1 Comentário

Banheiro público não é um negócio limpo, cheiroso nem agradável. E estou falando do feminino. Dizem que as mulheres tem maior tendência à limpeza e organização do que os homens, então não quero nem imaginar como deve ser o banheiro deles!

Quando falo de banheiro público, acho que vocês devem pensar em banheiros de rodoviária, restaurantes de beira de estrada, bares cheios de bêbados ou algo assim. Eu não passo nem na porta desses. Estou falando de banheiros de colégio ou mesmo da universidade.

Toda vida achei um absurdo entrar no banheiro entre uma aula e outra e ter nojo até de lavar a mão, porque o chão do banheiro estava ensopado, cheio de pedaços de papel higiênico, as toalhas (quando havia) reboladas no chão e o cheiro no ar era… bom… desagradável. Isso em colégios particulares, onde haviam faxineiras que cuidavam, mas ainda assim não davam conta da zona feita pelas meninas lindas e bem-educadas que ali estudavam. Eu fico me perguntando se elas fazem isso no banheiro da própria casa ou no das amigas…

Na universidade é tão ruim quanto (ou pior). Bloco novo, banheiro novo (evidentemente), segundo dia de aulas ali e uma das cabines já está completamente suja de algum material duvidoso. Coordenadora compra espelho para o banheiro e… cadê? Colocaram no turno da manhã, roubaram no turno da tarde. E papel higiênico espalhado, pia e chão molhados, nem falo nada dos assentos dos vasos sujos, é típico de quem não tem equilíbrio para utilizar vasos sanitários públicos. Isso não deveria ser necessário, mas acho que se colocassem proteção para os assentos lá, provavelmente os roubariam todos também. Roubaram no banheiro do cinema (além das embalagens para descartar absorventes usados), como esperar que não roubem na universidade?

No entanto o que mais me espanta é a imundisse no banheiro de uma academia. Se brincar é a academia mais cara da cidade, o que quer dizer que a maior parte das pessoas ali tem uma situação financeira confortável. Tem os que tem descontos, como universitários. E tem aqueles que passam fome, mas malham numa academia cara pelo status.

Imagine que você é do primeiro grupo. E que resolveu malhar. Entrou pela primeira vez no vestiário feminino e lá estavam as pias com um espelho de parede à parede, depois os sanitários, uma área ampla com armários (o vestiário em si) e atrás, vários boxes de chuveiros. O vestiário limpinho, pias em ordem, sabão, toalhinhas de papel para secar a mão, chuveiros com água quente e fria, também limpos, boxes de vaso sanitário idem. A academia é organizada, bonitinha e o banheiro também. Pontos positivos, né? Você se matricula.

Eventualmente será necessário usar o banheiro e não será apenas uma vez. E o banheiro (os vasos sanitários) estão muito parecidos com os que eu encontro na universidade. Como é que pode? Bem… Tem vários universitários malhando por lá. Mas não são maioria. E tem uma faxineira dentro do banheiro quase que o tempo todo. E qualquer um pode ver trocentos empregados trabalhando, limpando até as frestas entre os azulejos de toda a academia. Então por que não usar o banheiro como deve ser usado? Pelo costume? Ou pelo simples prazer sádico de impedir que outras pessoas se sentem nos assentos dos vasos sanitários? Será que o banheiro masculino é assim? E será que, passando das 15h30, o balcão da pia deles fica todo molhado? E será que lá também ninguém sabe aonde fica o balde de lixo e joga os papéis no chão?

Posso não ter a resposta para essas perguntas e pode ser que as afirmações seguintes sejam infundadas. Às vezes a gente pensa que quem tem mais educação está nas camadas sociais mais altas. Bullshit. O que me parece é que há algumas gerações os pais encarregaram as escolas de educar seus pimpolhos. E as escolas não o fizeram, afinal isso é obrigação dos pais. Então uns foram aprendendo com os outros e é claro que não aprenderam que o certo é jogar papel no lixo, fechar a torneira ou não fazer guerra d’água-papel-toalha-whatever no banheiro. Ou que os banheiros, bem como todos os itens ali dentro, salas de aula ou ruas foram feitos para cada um e, portanto, é nossa obrigação conservar tudo num bom estado de uso.

As pessoas, em geral, tem na cabeça a idéia de que tudo bem estragar “porque não é meu”. E que disse que não é? O banheiro da academia não é dos alunos matriculados? Para o bem deles? Para eles terem onde fazer xixi, guardar suas bolsas e tomar banho? O espelho no banheiro da universidade não é para todas as alunas ajeitarem seus cabelos, conferirem se a calcinha não aparece por baixo da calça quando elas sentam ou retocarem o batom? As salas de aula possuem ventilador, janelas que abrem e fecham e quadros brancos para o conforto dos alunos? Pra que pintar o quadro de caneta hidrocor, quebrar as janelas ou arrebentar o ventilador?

Isso não é da classe social. Isso é da sociedade em geral. Não sei se da sociedade brasileira, sei que é daquela na qual eu vivo. Com a qual eu convivo. Não importa se é no banheiro da universidade pública, da academia de bairro ou da chique. Do bar da esquina ou daquele mais arrumadinho onde você vai comemorar algo com os amigos. Os banheiros não são bem cuidados por aqueles que os utilizam. Se não cuidam do banheiro, imagina do resto, só porque não é algo pelo qual notaram que pagaram.

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