Foi publicada na Folha Online uma matéria que diz que os internautas estão mais egoístas e crueis porque não querem sites que os “enrolem”. Eles querem entrar num site, fazer o que tem que fazer e sair. Segundo o jornal, os sites tentam apresentar interfaces amigáveis aos usuários, além de promoções interessantes e publicidades mais bonitas.
Aí a gente se depara com um pop-up em flash rosa-choque piscando, saltitando, girando e emitindo sons na frente do texto que estávamos lendo. Isso é amigável? Ou é uma tentativa desesperada (e frustrada) de conseguir a atenção dos usuários? No meu caso, esse tipo de propaganda só me irrita. E nem precisa ser animada. Basta não ter sido bem-feita e cobrir parte de uma ou duas linhas do texto com a imagem. Ou saltar no meio da coluna e eu não conseguir achar o maldito “xiszinho” pra fechar. Aquela que desliza por cima do texto quando passamos o mouse sobre a propaganda também não contribui para a minha paciência.
A internet é um mundo que peca pelo excesso (a palavra excesso também sofre do mesmo mal, mas deixa pra lá), transborda informações. É melhor que a falta delas, claro, é praticamente impossível não achar alguma coisa. Às vezes é necessário saber ler em algum idioma além do português e do inglês, mas a informação está lá e, cedo ou tarde, haverá alguma tradução em algum lugar feita por alguma alma caridosa. O fato é que o usuário precisa filtrar essa informação para conseguir o que ele quer e o que ele precisa.
Um site não pode ser apenas lindo e fornecer diversas formas diferentes para o leitor chegar em algum canto, largando diversos artefatos chamativos para conduzi-lo para algum outro lugar pelo caminho. Um site precisa ser simples, limpo. Pode ter outras ofertas, claro. Pode ter publicidade e ela pode ser diferente. Mas a opção de ver ou não o vídeo publicitário que está entre uma coluna e outra de uma revista virtual é do leitor. Se ele tiver tempo e achar interessante, ele assiste. Caso contrário, o quadrinho deve ficar lá, quieto, com o botão de play centralizado, sem dar um pio.
O leitor não é egoísta. Ele não tem tempo para olhar todas as coisas brilhantes e apitantes que aparecem em cada site que ele entre. Também não é cruel. Cruéis são os designers que jogam toda essa tralha na frente do que é útil, impedido-nos de chegar aonde queremos. Acreditem, senhores publicitários e webdesigners: se uma promoção ou o artigo que está na propaganda nos interessar, clicaremos no link, ele não precisa saltitar pelo monitor, como se estivesse gritando: “Olha eu aqui! Clica em mim! Clica em mim!”










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